Seis pessoas denunciadas pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) na ‘Operação Kariri’ foram condenadas pela Justiça nesta terça-feira (1) por crimes de organização criminosa para o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
Os condenados integravam grupo familiar criminoso que atuava há décadas em Feira de Santana e região, abastecendo o mercado de droga e lavando os lucros do crime com compra de imóveis, entre apartamentos de luxo e fazendas. Os condenados poderão recorrer em liberdade.
A sentença foi proferida pela 3ª Vara Criminal da Comarca de Feira de Santana, que também determinou o confisco definitivo de bens, entre 11 imóveis, 15 veículos e mais de 500 cabeças de gado, que ainda serão periciados, podendo chegar ao valor de R$ 50 milhões.
As penas foram estabelecidas de cinco a 16 anos de prisão. A organização criminosa era liderada por Rener Umbuzeiro. Ele morreu durante troca de tiros com a Polícia Federal no dia 22 de fevereiro de 2024, data em que a ação foi desencadeada.
A esposa de Rener, Niedja Maria de Lima Souza Umbuzeiro, e sua filha, a médica Larissa Gabriela Lima Umbuzeiro, foram condenadas com a maior pena, sentenciadas a 16 anos e seis meses de prisão. Elas foram apontadas nas investigações como chefes do núcleo financeiro e responsáveis pela gestão e fluxo dos ativos ilícitos, organizando a ocultação e dissimulação patrimonial, sendo que Larissa coordenava todo o processo de lavagem de dinheiro.
Também foram condenadas Clênia Maria Lima Bernardes (irmã de Niedja), Paulo Victor Bezerra Lima (esposo de Larissa), Gabriela Raizila Lima de Souza (sobrinha de Niedja) e Robélia Rezende de Souza.

Conforme a denúncia do MPBA, o modo de agir da organização envolvia o uso de laranjas para registrar bens e movimentar dinheiro sem serem identificados. As investigações provaram, a partir de diversos flagrantes de apreensão de maconha e evidências de plantio, que os denunciados estavam envolvidos com a lavagem de dinheiro proveniente das atividades de tráfico.
Para esconder o esquema de plantio da droga, Rener tinha a Umbuzeiro Agropecuária - uma empresa sediada na cidade de América Dourada, Norte da Bahia, que cultivava batata; abacaxi; alho; cebola; e feijão, por exemplo.
A sentença detalha o envolvimento de cada um dos réus nos crimes de lavagem de capitais, com base em informações policiais, relatórios de inteligência financeira (COAF/UIF), interceptações telefônicas e telemáticas, documentos de transações imobiliárias e bancárias, e depoimentos testemunhais e dos acusados.