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BRB compra R$ 1,5 bilhão em ativos ligados ao Banco Master após operação da PF

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Da redação

Negociações ocorreram de forma acelerada e envolveram a troca de carteiras problemáticas do Credcesta por ativos com aparência de maior solidez

BRB compra R$ 1,5 bilhão em ativos ligados ao Banco Master após operação da PF
Divulgação

O Banco de Brasília (BRB) adquiriu R$ 1,5 bilhão em ativos anteriormente pertencentes ao Banco Master e vinculados a fundos administrados pela Reag, pouco depois de a instituição ter sido alvo da Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, que investigava lavagem de dinheiro associada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A informação foi publicada pelo site Metrópoles nesta terça-feira (7).

Documentos obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) indicam que as operações foram aprovadas antes da conclusão de pareceres de risco, que já apontavam semelhanças com estruturas consideradas fraudulentas. Quatro transações foram finalizadas em 30 de setembro de 2025, a tempo de integrarem os balanços do terceiro trimestre das duas instituições.

Segundo a reportagem, as negociações ocorreram de forma acelerada e envolveram a troca de carteiras problemáticas do Credcesta por ativos com aparência de maior solidez. Parte significativa dos ativos apresentava estrutura de “fundo sobre fundo”, modelo apontado pela Polícia Federal como elemento recorrente em fraudes. Apesar de alertas internos sobre “risco elevado” e prazo insuficiente para análise, as operações foram aprovadas.

Uma das aquisições incluiu a compra integral das cotas do FIP SH, detentor de 30% da Stellcorp, empresa do setor de casas modulares. A operação tornou o BRB sócio do empresário Roberto Justus, que só tomou conhecimento da participação em janeiro de 2026. O acordo previa desconto de 33,25% no valor das ações, com os riscos de desvalorização assumidos integralmente pelo banco.

Outras transações envolveram R$ 315 milhões na aquisição de 70% das cotas do FII Brazil Realty, em uma cadeia de fundos com projetos imobiliários em Belo Horizonte. Laudos internos apontaram sobrevalorização de terrenos, com preços até quatro vezes acima do mercado. No mesmo período, o Banco Master comprou 83% das cotas do FIP Trevi, mesmo diante de alertas sobre origem incerta de recursos e avaliações infladas.

Em novembro de 2025, o BRB aprovou novas aquisições, totalizando R$ 481 milhões, apesar da deterioração financeira do Banco Master e de alertas sobre o possível cancelamento do registro da Reag na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Entre os ativos adquiridos estavam ações de baixa liquidez, patrimônio indefinido e inconsistências cadastrais.

Na prática, os documentos indicam que o banco adquiriu ativos sem clareza sobre valor e origem, mesmo diante de alertas internos sobre riscos elevados, concentração de investimentos e possíveis falhas nos mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro.

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