O mercado financeiro brasileiro iniciou a segunda-feira (26) sob forte pressão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para um quarto mandato. O Ibovespa futuro, com vencimento em dezembro de 2026, chegou a registrar queda de 14,84% nos primeiros negócios, enquanto os juros futuros dispararam, refletindo o aumento da aversão ao risco entre investidores.
Diante da volatilidade, a B3 ampliou os limites de oscilação dos contratos futuros do Ibovespa, que passaram de 10% para até 20% de queda. A medida também atingiu os contratos futuros de dólar, cujos limites de alta foram ampliados de 6% para 12%, abrangendo todos os vencimentos.
As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI), utilizadas como referência para os juros futuros, também avançaram. Os contratos com vencimento em janeiro de 2027 chegaram a 14% ao ano, alta de 54 pontos-base, enquanto os papéis de janeiro de 2028 registraram forte pressão nas negociações.
No mercado cambial, o dólar disparou diante das incertezas provocadas pelo resultado eleitoral. A moeda norte-americana chegou a ser negociada a R$ 5,42 no início do pregão, alta de aproximadamente 8,7% em relação ao fechamento da sexta-feira (23), quando encerrou cotada a R$ 4,9896.
A reação negativa também foi observada no exterior. Antes da abertura de Wall Street, ações de empresas brasileiras negociadas nos Estados Unidos, como Petrobras, Itaú Unibanco e Bradesco, registraram perdas expressivas. O fundo de índice iShares MSCI Brazil ETF (EWZ), que acompanha ações brasileiras no mercado norte-americano, também apresentou forte desvalorização.
A turbulência reflete a revisão das expectativas dos investidores, que vinham apostando em uma vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) e em possíveis mudanças na condução da política fiscal. Com a reeleição de Lula, o mercado passou a reavaliar os riscos relacionados às contas públicas, à trajetória da dívida e aos juros de longo prazo.
A desvalorização do real também preocupa por seus possíveis efeitos sobre a inflação. Uma moeda brasileira mais fraca encarece produtos importados e pode limitar o espaço para cortes na taxa básica de juros (Selic), caso as pressões inflacionárias se intensifiquem.
O cenário internacional acrescenta incertezas aos negócios. Investidores acompanham os resultados de grandes empresas de tecnologia nos Estados Unidos, os preços do petróleo e as decisões de política monetária previstas para a semana, incluindo as reuniões do Federal Reserve (Fed), do Banco Central Europeu (BCE) e do Banco do Japão (BoJ).
Com a volatilidade elevada, o comportamento dos ativos brasileiros dependerá, entre outros fatores, das sinalizações do governo sobre a política econômica e o controle das contas públicas. O mercado também deverá acompanhar as próximas decisões da equipe econômica e os desdobramentos políticos após o resultado eleitoral.