Nesta terça-feira (20), o queijo ganha holofote com a celebração do Dia Mundial do Queijo. Na Bahia, a data serve menos para homenagem protocolar e mais para confirmar um fato concreto: o estado deixou de ser coadjuvante e passou a disputar espaço entre os produtores mais respeitados do país, com reconhecimento dentro e fora do Brasil.
A força dessa produção começa na base. Em 2024, a Bahia atingiu a marca de 1,3 bilhão de litros de leite, número impulsionado por um território diverso que reúne Mata Atlântica, Caatinga e Cerrado. O peso econômico da cadeia do leite é visível. Segundo dados da Secretaria da Agricultura da Bahia, o estado conta hoje com 185 agroindústrias de beneficiamento de leite e derivados, número que supera, com folga, outros segmentos do setor agroindustrial.
Paralelamente à indústria, a produção artesanal avança e ganha status de política pública. Mais do que alimento, o queijo passa a ser tratado como patrimônio cultural, capaz de preservar modos de fazer, valorizar pequenos produtores e manter vivas tradições regionais que atravessam gerações.
A história do queijo, aliás, nasceu do acaso. Relatos indicam que pastores, ao transportar leite em recipientes feitos com estômagos de animais, descobriram involuntariamente a separação entre soro e massa sólida. O que parecia um erro virou descoberta. Séculos depois, o domínio dessa técnica levou a extremos como o Pule, considerado o queijo mais caro do mundo, produzido a partir do leite de jumentas na Sérvia e vendido por valores que ultrapassam 5 mil euros o quilo.
No Brasil, a produção de queijo remonta ao século XVI, com a chegada das primeiras vacas leiteiras à Bahia, trazidas de Cabo Verde durante o governo de Tomé de Sousa. Inicialmente artesanal, a fabricação tinha função prática: conservar o leite em um período sem refrigeração e garantir alimento às populações locais.
Hoje, o queijo é presença cotidiana na mesa do brasileiro e item central da gastronomia nacional. Dados da Embrapa indicam que o país produz cerca de 1 milhão de toneladas por ano, ficando atrás apenas da União Europeia, dos Estados Unidos e da Rússia.