A turista do Rio Grande do Sul presa por suspeita de injúria racial em Salvador teria solicitado atendimento exclusivo por um delegado de pele branca enquanto estava na delegacia. Identificada como Gisele Madrid Spencer Cesar, de 50 anos, ela foi presa na quarta-feira (21), após ofender e cuspir em uma vendedora ambulante negra no Pelourinho, no Centro Histórico da capital baiana.
Mesmo após ser levada à Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin), a suspeita teria mantido a conduta discriminatória, exigindo ser atendida apenas por um delegado branco.
O caso ocorreu na Praça das Artes, durante um evento gratuito. A vítima, identificada como Hanna, relatou que trabalhava no bar do evento quando foi insultada. Segundo ela, após uma venda, a turista a chamou de “lixo” e cuspiu em seu rosto, afirmando ainda: “Eu sou branca”.
Após as agressões, a mulher tentou deixar o local, mas se envolveu em outras confusões e foi contida por seguranças até a chegada da polícia. A prisão foi realizada por equipes da Decrin, que seguem com as investigações.
Antes do crime, a turista havia publicado nas redes sociais registros da viagem a Salvador. Ela se apresenta como criadora de conteúdo e estava na cidade há cerca de sete dias, período em que participou de eventos culturais e religiosos, como a Lavagem do Bonfim, além de shows e atividades turísticas.
Após o registro da ocorrência, a suspeita foi ouvida pela polícia e permanece custodiada, à disposição da Justiça. A legislação brasileira equipara a injúria racial ao crime de racismo, tornando a conduta inafiançável e imprescritível.