A Polícia Federal identificou falhas nos procedimentos adotados pelo Banco de Brasília (BRB) na compra de carteiras de crédito do Banco Master. Segundo laudo da investigação, o banco público realizou pagamentos antes da conclusão de análises técnicas e manteve as operações mesmo após receber alertas sobre problemas nos ativos e na situação financeira do Master.
A perícia analisou 84 compras de carteiras destinadas a pessoas físicas, que movimentaram R$ 17,58 bilhões. Em 22 operações, que somaram R$ 7,63 bilhões, pelo menos uma das avaliações obrigatórias foi concluída somente depois que o pagamento já havia sido feito. Os procedimentos envolviam a verificação dos créditos, riscos de inadimplência, preços, garantias e documentação.
O laudo também aponta que o BRB teria dividido operações em valores menores para mantê-las dentro do limite de R$ 750 milhões que podia ser autorizado pela diretoria sem passar pelo Conselho de Administração. Ao todo, foram 25 operações que somaram R$ 17,5 bilhões, sendo 21 delas exatamente no limite permitido.
Os problemas continuaram mesmo depois de uma análise interna do próprio BRB apontar inconsistências nas carteiras. O relatório identificou, entre outros pontos, dados fictícios, ausência de documentos dos empréstimos, contratos sem assinatura dos clientes e divergências financeiras de até R$ 1,39 bilhão. Ainda assim, a diretoria autorizou mais R$ 2 bilhões em compras no mês seguinte.
Para a PF, a repetição dessas práticas indica um padrão, e não falhas isoladas. A perícia analisou R$ 47,78 bilhões em operações entre BRB e Master e apontou pagamentos antecipados, concentração dos negócios em uma única instituição e continuidade das operações após alertas. O laudo afirma haver elementos compatíveis com “gestão fraudulenta” no processo de compra das carteiras.