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PF identifica uso de logins de servidores do MPF para acessar processos sigilosos de Vorcaro

Data:
Antonio Dilson Neto

Relatório cita acessos recorrentes e irregulares a sistemas de órgãos públicos e aponta possível uso indevido de credenciais de servidores

PF identifica uso de logins de servidores do MPF para acessar processos sigilosos de Vorcaro
Reprodução/Bloomberg

A Polícia Federal identificou o uso de logins funcionais de servidores do Ministério Público Federal (MPF) para acessar processos sob sigilo no âmbito da investigação sobre Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Os acessos foram identificados a partir da análise de mensagens e outros dados extraídos do celular do empresário.

Segundo relatório da PF, as informações obtidas no aparelho indicam que procedimentos sigilosos também eram acessados de forma irregular em sistemas da própria Polícia Federal, da Polícia Civil e do Banco Central.

De acordo com os investigadores, o esquema envolvia o uso de credenciais funcionais de terceiros, extração indevida de documentos e consultas não autorizadas em sistemas internos. A PF afirma que os dados protegidos por sigilo eram obtidos e utilizados para finalidades que não tinham relação com o interesse público.

Entre os registros analisados, os investigadores identificaram o uso recorrente dos logins de dois servidores para consultar processos sigilosos do MPF. O relatório ressalta que os acessos podem ter ocorrido de maneira indevida, com ou sem conhecimento dos titulares das credenciais.

A PF também encontrou indícios de que a obtenção de informações protegidas fazia parte de uma estrutura mais ampla mantida por Vorcaro para acompanhar investigações e movimentações de autoridades.

Divisão de tarefas

A análise do material apreendido levou a PF a apontar a existência de uma estrutura que, segundo os investigadores, tinha divisão de funções e atuava em diferentes frentes consideradas ilícitas.

Um dos nomes apontados no relatório é Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Felipe Mourão. Segundo a PF, ele seria o principal executor operacional de Vorcaro e recebia cerca de R$ 1 milhão por mês para atuar em nome do ex-banqueiro.

Entre as funções atribuídas a Mourão pela investigação estão justamente o acesso a sistemas sigilosos, a coordenação de um grupo chamado de “turma” e o monitoramento de pessoas e informações.

O relatório também cita suspeitas de atuação para retirar conteúdos da internet, realizar ataques hackers, exercer coação e manter articulação com criminosos, sempre, segundo a PF, sob orientação de Vorcaro.

A investigação chegou a essas conclusões a partir do conteúdo encontrado no celular do ex-banqueiro, incluindo mensagens e registros relacionados aos acessos a sistemas públicos.

Os documentos que detalham os acessos foram divulgados após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo de parte da investigação relacionada ao caso Banco Master. A medida ocorreu após pedido do presidente da Corte, Edson Fachin.

A PF ainda investiga a participação de diferentes pessoas na obtenção e no compartilhamento das informações. O próprio relatório ressalta que, em relação aos logins dos servidores, é necessário considerar a possibilidade de uso indevido das credenciais sem participação consciente dos titulares.

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