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Vorcaro soube de operação antes de ser preso e tentou deixar o Brasil, diz PF

Data:
Antonio Dilson Neto

Relatório enviado ao STF reúne mensagens, anotações e contatos que, segundo investigadores, indicam que o ex-banqueiro recebeu informações sigilosas antes da operação que o prendeu em novembro de 2025

Vorcaro soube de operação antes de ser preso e tentou deixar o Brasil, diz PF
Reprodução/Redes sociais

Documentos da Polícia Federal apontam que Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, teria recebido informações antecipadas sobre a operação que resultou em sua prisão, em novembro de 2025. Segundo os investigadores, registros encontrados no celular do banqueiro mostram uma sequência de contatos, anotações e movimentações que se intensificaram nas semanas anteriores à ação policial.

Vorcaro foi preso na noite de 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. Ele estava prestes a embarcar em um jato particular com destino a Malta.

A análise dos investigadores indica que o banqueiro já tinha conhecimento de informações reservadas sobre a investigação antes da operação. Os dados constam em um relatório encaminhado pela PF ao Supremo Tribunal Federal (STF), cujo conteúdo se tornou público após decisão do ministro André Mendonça.

Um dos primeiros registros apontados pela PF ocorreu em outubro. No dia 17 daquele mês, integrantes da Polícia Federal e do Banco Central participaram de uma reunião restrita para tratar das investigações envolvendo o Banco Master.

Quatro dias depois, em 21 de outubro, Vorcaro registrou no celular os nomes completos de delegados, agentes da PF e procuradores da República envolvidos no caso.

Em outra anotação, feita em 30 de outubro, o banqueiro escreveu sobre pessoas do Banco Central que seriam suas conhecidas e que estariam preocupadas com a situação. Segundo a PF, Vorcaro afirmou que as informações recebidas eram confiáveis porque vinham de pessoas diretamente envolvidas nas discussões. Ele também demonstrou preocupação em não expor essas fontes.

Contatos antes da prisão

A movimentação teria avançado para informações relacionadas ao Judiciário. Em 16 de novembro, um dia antes da prisão e dois dias antes da operação, Vorcaro registrou uma pergunta sobre a possível proximidade de um interlocutor com o juiz federal Ricardo Soares Leite, responsável pela 10ª Vara Federal Criminal de Brasília, onde tramitavam medidas sigilosas relacionadas ao caso.

Na manhã de 17 de novembro, a movimentação aumentou. Às 7h28, Vorcaro recebeu mensagens consideradas urgentes do advogado Walfrido Warde. Segundo a investigação, a partir daquele momento o banqueiro mudou seus planos e passou a organizar uma viagem para fora do país.

No mesmo período, Vorcaro manteve contato com o jornalista Diego Escosteguy. A PF aponta Escosteguy como beneficiário de repasses financeiros investigados no caso. Pouco depois das 11h, o site O Bastidor publicou uma reportagem informando a existência de um inquérito contra o Banco Master na 10ª Vara Federal do Distrito Federal.

Escosteguy negou irregularidades. Em nota, afirmou que sua relação com o empresário citado pela PF sempre foi profissional e ligada à atividade jornalística. Segundo ele, os valores recebidos eram referentes a contratos de publicidade e patrocínio.

O jornalista também negou que a reportagem tivesse antecipado qualquer operação policial ou medida cautelar e afirmou que não houve interferência externa na produção do conteúdo.

Vorcaro encaminhou a reportagem a Warde. O advogado passou então a tentar obter acesso aos autos que permaneciam sob sigilo. Em mensagens trocadas naquele dia, Warde afirmou ao banqueiro que estava pressionando o magistrado responsável pelo processo por meio do WhatsApp.

Reunião com o Banco Central

Paralelamente, Vorcaro buscou uma justificativa para deixar o país. Segundo a PF, ele procurou os servidores do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, que são apontados pelos investigadores como integrantes do grupo investigado.

Os contatos ajudaram a viabilizar uma reunião virtual de emergência com Ailton Aquino, diretor de Fiscalização do Banco Central.

A videoconferência ocorreu naquela tarde e não teve gravação nem ata. Durante a conversa, Vorcaro comunicou uma suposta venda do Banco Master ao Grupo Fictor e afirmou que precisaria viajar para Dubai naquela mesma noite para assinar documentos relacionados à negociação.

Mais tarde, a defesa apresentou em um habeas corpus uma declaração assinada por Paulo Sérgio sobre a reunião. O documento foi usado para sustentar que a viagem aos Emirados Árabes tinha finalidade empresarial e não representava uma tentativa de fuga.

A Polícia Federal tem outra interpretação. Para os investigadores, o encontro teria sido articulado às pressas para criar uma justificativa formal para a saída de Vorcaro do Brasil.

A viagem, no entanto, não aconteceu. Na noite de 17 de novembro, agentes da PF prenderam o banqueiro no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando ele se preparava para embarcar em um jato particular.

No dia seguinte, 18 de novembro, os policiais cumpriram os demais mandados da operação.

Pergunta sobre deixar o país

Documentos também tornados públicos mostram que Vorcaro chegou a perguntar ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, se deveria deixar o Brasil dois dias antes de ser preso.

O conjunto de registros analisado pela PF é usado pelos investigadores para sustentar a suspeita de que o banqueiro teve acesso antecipado a informações sobre a operação e passou a organizar sua saída do país à medida que as medidas policiais se aproximavam.

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