A Europa Filmes decidiu deixar sem nova data de estreia o filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, enquanto avançam as investigações sobre o financiamento da produção. A decisão foi tomada após a Polícia Federal deflagrar, nesta quinta-feira (10), uma operação que apura suspeitas relacionadas ao uso de recursos públicos e a empresas ligadas ao longa.
Em entrevista ao jornal O Globo, o diretor-geral da distribuidora, Wilson Feitosa, afirmou que a empresa prefere esperar até que não exista risco de algum impedimento jurídico ou operacional para a exibição do filme.
Segundo Feitosa, não seria responsável colocar a produção nos cinemas diante das incertezas provocadas pelas investigações. A Europa Filmes, portanto, não trabalha neste momento com uma nova previsão para o lançamento.
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A decisão ocorre no mesmo dia em que a PF cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em uma operação autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os alvos estão o deputado federal Mário Frias (PL-SP), que participou do projeto do filme, e a empresária Karina Gama, responsável pela produção.
A investigação conduzida por Dino apura suspeitas relacionadas à destinação de emendas parlamentares para entidades ligadas a Karina Gama. Segundo a PF, há suspeitas de direcionamento irregular de recursos recebidos por entidades para empresas subcontratadas, sem comprovação da efetiva prestação dos serviços. A investigação apura possíveis crimes como peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.
Em 2024, Mário Frias destinou R$ 2 milhões em emendas ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Gama. Os investigadores analisam a movimentação desses recursos e possíveis conexões com empresas relacionadas à produção de “Dark Horse”. Frias nega irregularidades.
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Outra investigação envolve financiamento do filme
O financiamento de “Dark Horse” também é alvo de uma investigação conduzida no STF sob relatoria do ministro André Mendonça. Nesse caso, a apuração surgiu a partir das investigações envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro e alcança Flávio Bolsonaro, que participou das tratativas para buscar recursos privados para a produção.
Flávio Bolsonaro não foi alvo da operação realizada nesta quinta-feira. A investigação conduzida por Mendonça é uma frente distinta da apuração sobre as emendas parlamentares autorizada por Dino.
Com as duas frentes de investigação em andamento, a distribuidora decidiu não estabelecer um novo cronograma para a chegada do longa aos cinemas. Em declaração ao O Globo, Feitosa afirmou que a empresa tomou a decisão por considerar mais prudente aguardar o esclarecimento das suspeitas.
A Europa Filmes já havia indicado anteriormente que não pretendia lançar o filme durante o período eleitoral. Em agosto, a distribuidora informou que a estreia seria empurrada para depois das eleições de 2026, sem definir uma nova data.