Vídeos curtos, conteúdos personalizados e publicações nas redes sociais passaram a dividir espaço com o rádio e a televisão na comunicação dos candidatos. Com a campanha de 2026 cada vez mais presente no celular dos eleitores, o horário eleitoral gratuito (HGPE) deixou de ser o único caminho para as campanhas, mas continua tendo espaço na disputa.
A influência do horário eleitoral sobre a decisão de voto, no entanto, não é fácil de medir. Professor de Comunicação e Política da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Wilson Gomes afirma que não há evidências conclusivas sobre o peso isolado da propaganda na escolha dos eleitores. Para ele, a decisão passa por diferentes fontes de informação.
“A propaganda eleitoral não atua sozinha, e a competição pela influência sobre o eleitor é muito intensa”, afirma Gomes.
Além da televisão e do rádio, o eleitor hoje encontra conteúdo político nas redes sociais, em aplicativos de mensagens, com influenciadores e em publicações feitas pelos próprios usuários. Com tantos canais, fica mais difícil saber quanto cada um deles pesa na hora do voto.
Mesmo com essa variedade de fontes, o horário eleitoral ainda tem importância para parte do eleitorado. O cientista político Emerson Cervi, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), afirma que a propaganda no rádio e na televisão tem um peso maior entre quem ainda não decidiu o voto e não acompanha a política de perto.
Para esse público, o início do horário eleitoral também ajuda a marcar o momento em que a eleição passa a fazer parte do dia a dia. É o que Cervi chama de “tempo da política”, quando a disputa eleitoral ganha espaço na rotina do eleitor.
Redes sociais permitem mensagens mais específicas
As redes sociais funcionam de outra maneira. Segundo ele, a comunicação digital funciona melhor para fortalecer opiniões que o usuário já tem do que para mudar sua posição.
Nas plataformas, os usuários também recebem conteúdos diferentes de acordo com seus interesses e comportamento. Isso permite que as campanhas direcionem mensagens para públicos específicos e mantenham uma comunicação mais frequente com determinados grupos.
Televisão e redes sociais também podem ser usadas juntas. Um conteúdo exibido no horário eleitoral, por exemplo, pode ser publicado nas plataformas depois, ampliando o alcance da mensagem e mantendo o candidato presente fora do rádio e da televisão.
O peso do horário eleitoral também varia conforme o cargo. Segundo Cervi, candidaturas majoritárias, como as de presidente e governador, não podem abrir mão do espaço no rádio e na televisão. Nas eleições proporcionais, porém, a presença dos candidatos nesses meios pode variar de acordo com o potencial de voto de cada candidatura.
Nas eleições de 2026, os diferentes meios estarão presentes ao mesmo tempo nas campanhas. Enquanto o horário eleitoral mantém um espaço importante para a exposição dos candidatos, as redes sociais permitem uma comunicação mais frequente e direcionada aos eleitores.
*Sob supervisão de Antonio Dilson Neto