Uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) poderá investigar possíveis irregularidades no uso de recursos públicos federais para financiar influenciadores digitais, agências de publicidade e campanhas de comunicação com finalidade político-eleitoral nas eleições de 2026.
A proposta prevê a apuração de contratos de publicidade institucional, pagamentos a agências de comunicação, repasses indiretos e eventuais subcontratações para verificar se recursos públicos foram utilizados para favorecer candidaturas ou prejudicar adversários políticos.
Entre os pontos que podem entrar na investigação está a atuação de estruturas de mobilização digital, como o chamado “Exército do Lula”, associado à atuação do deputado André Janones (Avante-MG) nas redes sociais. Nos dias que antecederam o segundo turno, o parlamentar promoveu uma mobilização para alcançar 10 milhões de seguidores, episódio que levantou questionamentos sobre o alcance dessas estratégias digitais.
A comparação entre o número de seguidores e o desempenho eleitoral, porém, não comprova, por si só, qualquer irregularidade. O principal objetivo da eventual comissão será esclarecer se houve financiamento com dinheiro público, identificar a origem dos recursos e verificar a finalidade dos pagamentos.
A iniciativa para criar a CPMI partiu do deputado federal Capitão Alden (PL-BA), que está elaborando um requerimento para apresentar ao Congresso Nacional. Segundo o parlamentar, a proposta não pretende investigar manifestações políticas espontâneas, mas apurar possíveis casos de uso indevido de recursos públicos em campanhas de comunicação.
O requerimento prevê uma comissão formada por 15 deputados federais e 15 senadores, com prazo de funcionamento de 180 dias. O documento ainda está em elaboração e deverá reunir fatos determinados e informações que fundamentem a solicitação antes da coleta das assinaturas necessárias.
Caso seja instalada, a CPMI deverá buscar esclarecimentos sobre contratos, pagamentos e eventuais vínculos entre estruturas públicas e ações de comunicação político-eleitoral. Até o momento, as suspeitas mencionadas na proposta não constituem comprovação de irregularidades.