O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou os pedidos apresentados por Eduardo Sodré e pelo pai dele, Guilherme Henrique Sodré Martins, para viajar ao exterior. Os dois são investigados e estão submetidos a medidas cautelares que incluem a proibição de deixar o Brasil e a suspensão dos passaportes.
A decisão ocorreu após a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestar contra a flexibilização das restrições. O órgão sustentou que, diante do estágio atual das investigações, existe risco de evasão caso os investigados deixem o país e defendeu a manutenção das medidas.
Mendonça seguiu o entendimento apresentado pela Procuradoria e manteve as cautelares.
No caso de Guilherme Sodré, a defesa havia solicitado autorização para uma viagem à Itália entre 3 e 13 de setembro de 2026. O roteiro previa passagens por Veneza, Florença e Roma. Segundo os advogados, a viagem teria relação com a participação de Guilherme na 61ª Bienal de Veneza. Ele integraria a instalação “Juntó”, do artista Ayrson Heráclito, com uma obra pertencente à sua coleção pessoal.
A defesa também afirmou que Guilherme possui compromissos profissionais no exterior e não apresentaria risco de fuga. Entre os argumentos utilizados estavam a residência fixa, o patrimônio e as atividades profissionais mantidas no Brasil. Os advogados também citaram o casamento dele com uma desembargadora do Tribunal de Justiça da Bahia.
A PGR, porém, considerou que as circunstâncias apontadas pela defesa não seriam suficientes para afastar a necessidade das restrições. O órgão argumentou que a suspensão do passaporte e a proibição de saída do país devem permanecer enquanto as investigações estiverem em estágio inicial, justamente para evitar uma eventual evasão.
Pedido de Eduardo Sodré
Eduardo Sodré também pediu autorização para realizar viagens internacionais entre agosto e outubro deste ano. De acordo com a defesa, parte dos deslocamentos teria caráter institucional e estaria relacionada às atividades exercidas por ele como secretário de Meio Ambiente da Bahia.
A PGR se posicionou contra o pedido. Segundo o Ministério Público, a condição financeira de Eduardo poderia facilitar uma eventual permanência no exterior e dificultar o andamento das investigações.
Com base na manifestação da Procuradoria, Mendonça decidiu manter as medidas cautelares e negou as autorizações para que os dois investigados deixassem o Brasil.