O ator e apresentador Fábio Porchat usou as redes sociais na tarde desta quinta-feira (14) para rebater, com muito deboche, a aprovação do Projeto de Lei 6.342/25 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O texto, que o declara persona non grata no estado, foi classificado pelo comediante como um verdadeiro "orgulho" para seus mais de 20 anos de carreira.
Em um vídeo publicado no Instagram, Porchat apareceu fingindo chorar de emoção pelo "reconhecimento" dos parlamentares fluminenses. “Eu tenho mais de 20 anos de carreira, já ganhei prêmio, mas eu nunca, nunca podia imaginar que eu fosse conseguir chegar nesse lugar. Deputado chateado comigo? É um negócio que enche meu peito de orgulho”, ironizou o artista.
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Mudando o tom para a crítica política, o humorista aproveitou o espaço para questionar as reais prioridades do legislatório do Rio de Janeiro. “Os deputados que poderiam estar debatendo segurança pública do Rio, (…) podiam estar atrás de milícia, tentando levar saneamento básico para as comunidades, mas…”, disparou.
Porchat também subiu o tom ao lembrar de figuras políticas do estado que, mesmo envolvidas em crimes de repercussão nacional, não receberam o mesmo tratamento ou rapidez na Casa. Ele citou expressamente a ex-deputada Flordelis, condenada pelo homicídio do marido, e os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão, apontados como mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco.
“Eu preciso de 41 votos, fica aqui meu apelo. Me dá essa chance, eu prometo que eu vou fazer jus. Eu quero chegar aonde nenhum comediante nunca chegou”, completou, fazendo campanha para que o projeto seja aprovado no plenário.
A motivação do projeto
A proposta foi protocolada pelo deputado estadual Rodrigo Amorim (PL) e passou na CCJ nesta quarta-feira (13) por um placar apertado de 4 votos a 2. Na justificativa, o parlamentar bolsonarista alega que Porchat "ultrapassou os limites da crítica política" ao fazer esquetes de humor e declarações contundentes contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores.
Entre os materiais anexados por Amorim está um vídeo em que o humorista simula uma ligação telefônica para a equipe de Bolsonaro em tom de deboche e xingamentos, além de falas defendendo que dogmas religiosos não devem interferir nas decisões da sociedade.
Apesar do barulho político, a medida tem caráter puramente simbólico e não gera nenhum impedimento legal ou restrição física para que o ator continue circulando ou trabalhando no estado do Rio de Janeiro. Para entrar em vigor, o texto precisa agora de maioria simples no plenário da Alerj.