A ministra Cármen Lúcia afirmou que o preconceito contra mulheres no ambiente de trabalho também se manifesta por meio da sobrecarga de tarefas, mesmo quando há igualdade formal de cargos e salários. A declaração foi feita durante julgamento no plenário do Supremo Tribunal Federal sobre a constitucionalidade de dispositivos da lei 14.611/23, que trata da igualdade salarial entre homens e mulheres.
Durante a sessão, a ministra destacou que a discriminação de gênero vai além da remuneração e do acesso a cargos. Segundo ela, mulheres frequentemente recebem volume maior de trabalho em funções equivalentes às ocupadas por homens.
Veja no Instagram/
“Nos cargos públicos há algumas formas de preconceito que nos acometem. Por exemplo, se dá o mesmo cargo e se entrega à mulher, às vezes, um número muito maior de trabalhos”, afirmou.
Cármen Lúcia também relatou experiências pessoais vividas ao longo da carreira. A ministra contou que deixou um cargo que, posteriormente, precisou ser ocupado por três procuradores. Segundo ela, evitava reclamar da sobrecarga por receio de ser desacreditada por ser mulher.
Em outro momento do julgamento, a ministra relembrou um episódio de discriminação sofrido durante concurso para procuradora. De acordo com o relato, ela ouviu que só seria aprovada caso obtivesse desempenho superior ao dos candidatos homens, sob a justificativa de que o cargo exigia viagens frequentes para audiências no interior.
“Ninguém me perguntou se eu podia viajar ou não. Simplesmente eu seria eliminada se eu não tivesse uma nota superior à dos homens”, declarou.
A ministra afirmou ainda que situações semelhantes continuam ocorrendo e citou o caso recente de uma procuradora que, segundo ela, deixou de ser promovida devido à alegação de que o cargo exigia viagens frequentes.