O reajuste do Bolsa Família anunciado pelo governo federal deve elevar em R$ 91 o benefício básico, que passará de R$ 600 para R$ 691. A medida terá impacto estimado em R$ 22 bilhões e foi questionada por economistas, que avaliam que a atualização poderia ter priorizado famílias com crianças e adolescentes.
Para os especialistas ouvidos pela CNN, uma alternativa seria manter o benefício básico em R$ 600 e direcionar os recursos adicionais para os benefícios destinados à primeira infância e aos jovens. O argumento é que a pobreza no Brasil tem maior concentração entre crianças, o que faria uma política mais direcionada alcançar as famílias em situação de maior vulnerabilidade.
O economista Sergio Firpo, professor do Insper, defende que a correção deveria estar concentrada na composição familiar. Já Daniel Duque, pesquisador associado do FGV Ibre, afirma que o aumento absoluto do benefício continua sendo maior para famílias menores, mesmo após a atualização dos valores destinados a crianças e adolescentes.
O reajuste foi calculado com base na variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). O Benefício Primeira Infância, por exemplo, passou de R$ 150 para R$ 173. Para Duque, porém, a distribuição dos recursos mantém uma diferença no ganho por pessoa. Uma família formada por um adulto e duas crianças, de 4 e 9 anos, teria aumento de R$ 40,67 por integrante, enquanto um adulto que recebe apenas o benefício básico teria acréscimo de R$ 91.
A medida também gerou questionamentos sobre o impacto nas contas públicas e sobre o momento do anúncio, feito a menos de 20 dias do primeiro turno das eleições. O governo informou que irá atualizar o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 para incluir o novo custo. Economistas ouvidos pela CNN avaliam que o aumento das despesas obrigatórias pode reduzir ainda mais o espaço para gastos discricionários no próximo ano.