Os roteiristas de treta no Brasil trabalham em escala 7x0 e sem descanso. 48h após o segundo turno das eleições mais mobilizadas e radicalizadas desde a redemocratização, o candidato derrotado saiu do país, num episódio que parece ter saído de uma novela das 8 na Globo, à la fuga de Marco Aurélio, com direito a dar uma banana ao povo brasileiro.
A chegada de Flávio aos EUA não encerra uma série de questões que a saída (ou fuga) levantou. Como a família inteira conseguiu escapar, mesmo com o país inteiro sabendo da possibilidade de fuga? Por que Trump e Marco Rubio sabiam e supostamente coordenaram a transferência, no que aliados do presidente americano chamam de "operação Alba"? Por último e não menos importante: quais serão as justificativas de Flávio para explicar aos eleitores o abandono do barco e a auto contradição, já que na véspera da fuga ele mesmo disse que não sairia do país?
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Teorias e a nossa Succession
De um lado e do outro, todo mundo já tem teorias sobre o que aconteceu. Apoiadores mais aguerridos dizem que Flávio é nossa Maria Corina Machado e que precisou sair às pressas para evitar a ditadura lulista, representada pela caneta de Alexandre de Moraes.
A oposição, por sua vez, já saiu correndo pra dizer que Flávio é 'fujão' e que saiu pra despistar a Justiça. Até Nikolas Ferreira caiu no samba: Pedro Rousseff, deputado eleito por MG pediu que a PF apreendesse o passaporte de Nikolas, o que rendeu um react imediato do adversário.
Succession, a premiadíssima série de 4 temporadas transmitida pela HBO, conta a história de Logan Roy (Brian Cox), patriarca de uma das famílias mais poderosas da atualidade e dono de um império midiático conhecido como Waystar Royco. Ele sempre se dedicou mais aos negócios do que aos quatro filhos - Connor (Alan Ruck), Kendall (Jeremy Strong), Roman (Kieran Culkin) e Siobhan (Sarah Snook). Quando Logan tem uma piora em seu estado de saúde, seus descendentes iniciam uma disputa pelo controle das empresas.
Poucas horas após o sumiço de Flávio Bolsonaro, Valdemar Costa Neto, presidente do PL, publicou um tweet-recado, ao lado de Michelle e falando sobre futuro, parceria e caminhada.

Na mesma toada, Tarcísio de Freitas, forte candidato a herdeiro do espólio político bolsonarista, também fez sua mídia e publicou um vídeo em que repete seis vezes a frase 'a eleição passou'; só menciona Flávio uma única vez: "Obrigado por caminhar com a gente" e não faz nenhuma referência ao sobrenome e/ou família Bolsonaro.
Parece que estamos vendo, ao vivo, a primeira temporada da versão brasileira de Succession: Quem herdará o império da direita no Brasil? A cadeira está vazia e os herdeiros não vão medir forças para ocupá-la. Cenas dos próximos capítulos.