WhatsApp

Vale a pena assistir uma animação no Halloween?

Data:
Atualizado em: 31 de Outubro de 2026
Victor Quirino*

Como Coraline usa o stop motion para criar uma atmosfera de terror

Vale a pena assistir uma animação no Halloween?
Divulgação

O Halloween costuma ser associado a histórias de terror, monstros e sustos. Mas, para entrar no clima macabro do feriado, não é preciso ficar apenas nos filmes de terror tradicionais: a animação também pode ser um caminho para encontrar histórias assustadoras.

Há quem ainda pense que animação é coisa de criança, porém a técnica de stop motion mostra que essa linguagem pode explorar o terror de formas peculiares. Com personagens e cenários construídos à mão, esse estilo de arte cria mundos que parecem saídos de um pesadelo e combina perfeitamente com essa época do ano. 

Esse é o caso de Coraline (2009), filme produzido pela LAIKA Studios e dirigido por Henry Selick (O Estranho Mundo de Jack). Mais do que uma aventura fantástica, o filme constrói uma história inquietante que transforma a curiosidade infantil em uma jornada de suspense e horror. 

Uma porta para o outro mundo 

Em Coraline, a curiosidade da protagonista a leva a descobrir uma pequena porta que esconde uma versão alternativa de sua casa e de seus pais. À primeira vista, esse outro mundo se apresenta como uma utopia, mas a fantasia logo revela um lado sombrio.

É nessa mudança de encantamento para ameaça que o filme se fortalece. Sem depender apenas de sustos, a narrativa constrói o suspense aos poucos, usando contrastes entre o familiar e o estranho para provocar desconforto. 

Essa sensação de estranhamento não está apenas na história, mas também na forma como o filme é visualmente construído. E é aí que o stop motion ganha protagonismo, dando materialidade a esse universo assustador. 

O terror feito à mão

Diferente da animação tradicional, que dá movimento a desenhos, o stop motion é feito a partir de objetos reais. Cada cena é registrada em uma fotografia, com pequenas alterações na posição dos bonecos e elementos do cenário entre um quadro e outro. Quando as imagens são exibidas em sequência, a impressão é de que tudo ganhou vida.

Em Coraline, essa técnica não funciona apenas como um recurso visual. Os bonecos, as expressões e os cenários construídos em miniatura dão ao mundo do filme uma textura própria. Como partem do trabalho manual, esses elementos também carregam pequenas imperfeições que ajudam a criar uma experiência particular. 

Essa materialidade também explica por que o stop motion combina tão bem com o terror. Quando bonecos e objetos inanimados ganham movimento, surge um contraste entre aquilo que sabemos que são e a vida que parecem adquirir na tela.

Essa combinação entre o artesanal e o macabro também aparece em outras animações do gênero. O Estranho Mundo de Jack (1993), também dirigido por Henry Selick, mistura o universo do Halloween com o Natal em uma estética gótica. Já A Noiva-Cadáver (2005), de Tim Burton, explora o imaginário dos mortos, enquanto ParaNorman (2012), também produzido pela LAIKA Studios, aproxima o stop motion do terror com fantasmas e zumbis. 

Assim como Coraline, os três filmes mostram como a técnica pode dar forma a universos fantásticos e ainda proporcionar uma atmosfera sombria. 

Coraline | Hidden Worlds: The Films of LAIKA

Afinal, vale assistir no Halloween?

A resposta é sim, especialmente para quem procura uma experiência que consiga ser assustadora e encantadora ao mesmo tempo. Coraline não é apenas uma animação voltada ao público infantil, nem um terror convencional. O filme usa o fantástico para criar uma atmosfera inquietante e mostra como o stop motion pode explorar o medo de maneira única. 

Mais do que uma boa escolha para o Halloween, Coraline é um exemplo de como a animação pode ultrapassar os limites frequentemente associados ao gênero e construir experiências capazes de provocar medo em públicos de diferentes idades. E, nesse caso, o que torna tudo ainda mais especial é perceber que, por trás de cada imagem, existe um trabalho artesanal que levou anos para ganhar vida.

Coraline, por exemplo, levou cerca de três anos e meio para ser produzido. Esse processo reforça o valor do trabalho manual, da criatividade e do tempo dedicado a essas obras, principalmente em uma era em que ferramentas de inteligência artificial passam a ocupar espaço na produção audiovisual. 

Para quem quiser revisitar o filme, Coraline está disponível no Universal+. Já para quem deseja ir aos cinemas, aqui fica mais uma dica: O Bosque Selvagem, nova animação em stop motion do mesmo estúdio, chegou às telonas brasileiras em 29 de outubro. Apesar de apostar na fantasia e na aventura, em vez do terror, o lançamento é uma boa pedida para quem se encantou com esse estilo de animação. 

Nota: 5/5

Tenha notícias
no seu e-mail