A Polícia Federal levou mais de sete meses para encaminhar ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), os dados obtidos a partir da quebra dos sigilos fiscal, bancário e telemático de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
A medida havia sido autorizada por Mendonça em dezembro de 2025, no âmbito das investigações sobre suspeitas de desvios envolvendo aposentados e pensionistas do INSS. O ministro é relator dos casos relacionados ao INSS e ao Banco Master.
Segundo informações apuradas pela CNN Brasil, a demora no envio dos dados foi um dos fatores que contribuíram para o aumento do atrito entre a PF e o ministro.
Diante do atraso e de outras decisões da corporação que desagradaram ao magistrado, Mendonça determinou que a PF encaminhasse ao seu gabinete os dados brutos da investigação, incluindo a íntegra das quebras de sigilo.
A Polícia Federal interpretou a determinação como uma possível interferência na autonomia da investigação. A corporação chegou a consultar a Advocacia-Geral da União (AGU) sobre a possibilidade de recorrer da decisão no STF, mas nenhuma medida judicial foi apresentada.
Integrantes do governo federal, incluindo o advogado-geral da União, Jorge Messias, participaram das articulações para tentar reduzir a tensão entre o ministro e a cúpula da Polícia Federal.