O PT aderiu ao pedido de criação de uma CPI na Câmara dos Deputados para investigar o Banco Master. O requerimento, apresentado pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), reúne 211 assinaturas, sendo 45 de parlamentares petistas — cerca de 66% da bancada do partido.
Outras siglas de esquerda também apoiam a iniciativa. O PCdoB assinou com oito deputados, e o PSOL, com nove.
A adesão do PT é superior à de partidos do Centrão. No PP, apenas oito dos 50 deputados apoiaram o pedido. No Republicanos, não houve assinaturas. Pelo PSD, foram 10 de 47; no União Brasil, 23 de 59. Já o PL, na oposição, teve 34 adesões entre 87 parlamentares.
Até então, o PT resistia a apoiar uma CPI sobre a venda e a liquidação do Banco Master. Na semana passada, o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), afirmou que o tema não era prioridade.
A posição mudou com o avanço do caso e a possibilidade de impactos sobre o governo, diante do envolvimento do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski e do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, além das relações do ministro da Casa Civil, Rui Costa, com o ex-CEO do banco, Augusto Lima.
No governo, há a avaliação de que, mesmo sem a instalação da comissão, a assinatura do requerimento demonstra interesse em apurar o caso no Congresso.
A expectativa, porém, é de que as CPIs não avancem, diante da resistência dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), além da posição do Centrão, que mantém ligações com Daniel Vorcaro.
Mesmo assim, Rollemberg acelerou a coleta de assinaturas e ampliou o apoio da esquerda. Adversário do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), o deputado tem interesse direto na investigação. A bancada do PT deve se reunir ainda hoje para tratar do tema.
Além desse pedido, há outros três requerimentos em circulação: uma CPMI articulada pelo deputado Carlos Jordy (PL-RJ); outra CPMI apresentada pelas deputadas Heloísa Helena (Rede-RJ) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS); e uma CPI no Senado proposta pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE). Nesses casos, o apoio da esquerda é reduzido.