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BC diz à PF que Banco Master tinha apenas R$ 4 milhões em caixa antes da liquidação

Data:
Da redação

Depoimento foi prestado em 30 de dezembro de 2025 e teve o sigilo retirado na quinta-feira (29), por decisão do STF

BC diz à PF que Banco Master tinha apenas R$ 4 milhões em caixa antes da liquidação
Reprodução/ Redes sociais

O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, afirmou em depoimento à Polícia Federal que o Banco Master possuía apenas R$ 4 milhões em caixa antes de ter a liquidação extrajudicial decretada pela autoridade monetária. A instituição pertence ao empresário Daniel Vorcaro.

O depoimento foi prestado em 30 de dezembro de 2025 e teve o sigilo retirado na quinta-feira (29), por decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo Aquino, apesar de o Master ser classificado como banco de médio porte, com cerca de R$ 80 bilhões em ativos totais, a situação de liquidez era crítica. Ele destacou que instituições desse porte costumam ter entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões em títulos livres, o que não era o caso do Master.

Durante a oitiva, o diretor também apontou dificuldades envolvendo o Will Bank, fintech ligada ao Master e que igualmente foi liquidada. De acordo com ele, havia problemas operacionais no pagamento e fechamento de caixa, agravados pela crise de liquidez.

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em 18 de novembro, após identificar fraude em carteiras de crédito superiores a R$ 11 bilhões. Já o Will Bank operava sob o Regime de Administração Especial Temporária (Raet), aplicado a instituições com patrimônio gravemente comprometido.

O Raet prevê a substituição da diretoria por um conselho gestor, mantendo as operações para evitar impactos ao Sistema Financeiro Nacional. Aquino afirmou que a medida foi adotada diante da possibilidade de venda do Will Bank e para dar efetividade à legislação.

Ele ressaltou ainda que havia grande volume de ativos do Will Bank no balanço do BRB e que, sem o Raet, o prejuízo para o banco do Distrito Federal poderia ter sido maior. Segundo o diretor, o cenário envolvia cerca de 11 milhões de cartões de crédito, concentrados principalmente nas classes C e D.

Aquino explicou que a interrupção do crédito para esse público poderia aumentar a inadimplência, já que muitos consumidores tenderiam a buscar outros cartões e deixar de pagar faturas em aberto, fator que pesou na decisão pela intervenção.

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