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Jaques Wagner é alvo de busca e apreensão da PF em nova fase da Compliance Zero

Data:
Antonio Dilson Neto

Nova fase da Operação Compliance Zero investiga suposta entrega de imóvel de R$ 2,5 milhões ao senador baiano e possíveis repasses ligados a familiares do parlamentar.

Jaques Wagner é alvo de busca e apreensão da PF em nova fase da Compliance Zero
Jefferson Rudy/Agência Senado

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (18), uma nova fase da Operação Compliance Zero e colocou o senador Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado, no centro das investigações sobre supostas irregularidades envolvendo o Banco Master. Entre as suspeitas apuradas está a possível entrega de um apartamento de luxo avaliado em R$ 2,5 milhões como contrapartida por ações que teriam beneficiado interesses do banco e de empresários ligados à instituição.

A operação cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços relacionados ao parlamentar e ao empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Ao todo, a Polícia Federal realizou 18 diligências na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal.

Segundo as investigações, agentes federais encontraram mensagens, diálogos e outros elementos que apontariam para a negociação de um imóvel de alto padrão em Salvador destinado ao senador. O apartamento estaria localizado no empreendimento Poème Horto, no bairro do Horto Florestal, uma das áreas mais valorizadas da capital baiana.

De acordo com a PF, a unidade investigada ficaria no 17º andar do edifício, ainda em fase de construção, e teria aproximadamente 200 metros quadrados, com quatro suítes. O imóvel está avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões. O condomínio conta com estrutura de lazer que inclui piscina, academia, quadra poliesportiva, spa aquecido, espaço para massagens e áreas destinadas a animais de estimação.

Além da suposta oferta do apartamento, a Polícia Federal também apura possíveis pagamentos indevidos ligados a uma empresa pertencente a um familiar do senador.

Augusto Lima é apontado como peça importante na expansão do modelo de crédito consignado criado durante a gestão de Jaques Wagner no Governo da Bahia, entre 2007 e 2014. O sistema, conhecido como Credcesta, posteriormente se tornou um dos principais ativos financeiros do Banco Master.

Em nota, a Polícia Federal informou que a nova etapa da operação busca esclarecer a eventual participação de agentes públicos em supostos esquemas envolvendo instituições do sistema financeiro nacional. Os fatos investigados podem, em tese, configurar crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

Deflagrada originalmente em novembro de 2025, a Operação Compliance Zero investiga suspeitas de emissão de títulos sem lastro, criação de carteiras de crédito irregulares e movimentações financeiras que teriam alcançado bilhões de reais.

A defesa de Augusto Lima afirmou que as diligências realizadas pela PF eram desnecessárias, sustentando que o empresário está à disposição das autoridades há meses para prestar esclarecimentos. Segundo os advogados Pedro Ivo Velloso, Eduardo Toledo e Sebastián Mello, o empresário sempre atuou dentro da legalidade e observando as normas do sistema financeiro e da administração pública.

Até o momento, Jaques Wagner mantém o posicionamento de que não participou de qualquer negociação ou intermediação relacionada ao Banco Master e nega envolvimento em irregularidades investigadas pela Polícia Federal.

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